SAIR DO CORNER PARA VENCER: TRANSCENDER A NEGAÇÃO

Ada Colau e seu Barcelona em Comum são mais interessantes que Pablo Iglesias e seu Podemos. Desta boa entrevista, com que tenho poucas e pontuais discordâncias, pinço este trecho aqui, que me parece vital:

P: As eleições em Andaluzia mostram como também na Espanha avança a extrema direita. Como se detém esse vento sombrio que está arrasando toda a Europa? Você concorda com Pablo Iglesias, que fala de “frente antifascista”?

R: A realidade que enfrentamos é complexa. Para enfrentá-la precisamos evitar explicações únicas e receitas mágicas. Precisamos de serenidade e complexidade. Eu sempre disse que é preciso reivindicar o antifascismo como nossa base democrática: não há democracia sem antifascismo. Dito isso, não creio que seja tão útil, agora, contrapor bandeiras antifascistas aos neofascismos e à extrema direita: ao nomeá-los e colocá-los no centro, parece que eles crescem e ficam orgulhosos. Reconhecendo que venho de uma tradição não apenas progressista e de esquerda, mas também que considera democracia como antifascismo, não creio que o marco de organização e a narrativa de coesão deva girar em torno disso.

Em toda parte, esse tem sido o erro e o nosso limite. O antiberlusconismo, o antitrumpismo e finalmente o antibolsonarismo (#elenão? e sim para o quê?), todos caíram na mesma armadilha. Não se vence, sobretudo não se vence a médio/longo prazo em política oferecendo a mera negação. O conteúdo verdadeiramente político é de transformação: é preciso afirmar que outro futuro é possível, em vez de bancar as beatas da tradição e bons costumes da democracia liberal na ladainha de que irão para o inferno os pecadores.

Ada Colau expõe a proposta Municipalista