(Este grifo aqui, não me lembro de onde vem essa citação do Safatle, mas lembro de tê-lo lido também)

“Há alguns meses, Vladimir Safatle disse em uma intervenção pública que provavelmente a “classe” intelectual havia se tornado uma das mais conservadoras do país, como se para ela bastasse voltar no tempo uns cinco anos para que tudo ficasse bem ( (…) Afinal, em escala mundial, os acadêmicos poderiam ser contabilizados dentre os grupos “beneficiados” da globalização. E efetivamente, não há como separar o neoliberalismo progressista da globalização acadêmica, com seu vasto mercado de congressos internacionais, papers, prestígio, citações etc. Para além do clima de conformismo, lobby de si e networking (outro nome para financeirização da amizade) que predomina em congressos internacionais, creio que quando Safatle disse que os acadêmicos eram os novos conservadores, tratava-se uma provocação em outro sentido, pois afinal, dito de forma genérica, o acadêmico contemporâneo é quase que naturalmente um “progressista”. Mas justamente: o curioso é que os progressistas se tornaram restauracionistas”.