Caio Almendra:

Eu vou falar uma das coisas mais óbvias, manjadas e clichês mas que parece que ainda se faz necessária.

No livro Marighella, de Mário Magalhães, se comenta um dos defeitos fundamentais da estrutura da luta armada. O recrutamento se dava em universidades. E apenas 1-2% da população com idade universitária estava nas universidades. 98% dos brasileiros não iam para a universidade.

Era a bolha. Não-digital mas uma bolha ainda assim.

Esse número melhorou bastante. Hoje, o número está mais para 16-17%. Só tem uma questãozinha: são os mesmos 2% que estão na universidade pública no Brasil. Toda a expansão da universidade pública conseguiu pouco mais do que acomodar o aumento populacional brasileiro dessas cinco décadas. Mais de 82% dos universitários brasileiros estão em instituições privadas.

A universidade é essencial. A universidade pública é essencial.

Mas o chamado “circuito universitário”, o hábito de rodar e organizar apenas pelas universidades públicas, não será suficiente nem para defender as universidades públicas. Quiçá para barrar a Reforma da Previdência.